Meus espelhos não me mostram o que realmente quero ver. Ou será que eu tenho medo de ver, de verdade, o que o espelho está refletindo? Será que a transparência do meu ser é tão forte que não consigo ao menos enxergar minha imagem, mesmo que superficial?
Os espelhos de minha alma são os outros. O que eles passam é o que eu reflito. Verdade ou uma distorção da realidade? Estou tão acostumada a me ver em outro, que tudo o que reflete, me afeta. Por medo, covardia, pavor... Seja lá o que for, não me olho com meus olhos.
Minhas histórias e estórias são repetitivas e cansativas. Uma novelinha chata que não consegue ter um bom enredo. Auto piedade ou uma auto cobrança, que me faz acreditar (sempre me fez) que sou pequena, que sou apenas um grão de areia que restou de um chinelo qualquer e se prendeu na poeira do chão sujo. Aquele grão de areia perdido, sempre no lugar errado e deixado de lado. Com o medo da solidão e estranhando o habitat, que nunca é o meu, eu, o grão de areia, me grudo em um lixo qualquer ou num objeto qualquer. Afinal, é preferível ficar junto de qualquer coisa e ser visto como um estranho a ficar no esquecimento e sozinho perdido, sem saber o que fazer.
O que tem o espelho a ver com o grão de areia? Para os outros nada, mas para mim é que eu, um grão de areia, aqui e ali, buscando afinidades, aceitação, carinho, reconhecimento e afeto, me deixo parecer uma poeira, uma teia de aranha, um lixo qualquer. Não me vejo como o grão de areia, mas o que o espelho (o outro) me mostra como sou e assim me transformo na galinha que queria voar, no patinho feio e no lobo em pele de carneiro, para ser vista. Sou vista sim, mas do jeito que me mostro, do jeito que me mostram como sou.
Carência ou dependência? Tanto faz, pois ambas palavras me fazem sentir ínfima diante tudo e todos...
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
sábado, 18 de agosto de 2012
Quem sou eu?
Há duas semanas criei um outro blog para falar de todas as coisas e da organização da minha casa. Tirei fotos, estava animada e até plantei, pela primeira vez. Ainda cuido das minhas plantas, mas não sei cuidar de mim. Como vou cuidar de alguém que mal conheço? Não sei dos meus gostos, vontades, da minha essência... Me sinto um ser transparente, invisível e imperceptível.
"Eu não tenho limites. Eu tenho problemas com limites. Não sei distinguir o lado de dentro e o de fora... Minha pele está do avesso, minhas vísceras à exposição. Sinto com se todos pudessem ver através de mim. Sou tão transparente que preciso gritar para que as pessoas me vejam... Eu nunca me dei bem com o amor, aliás nunca tive alguém que se importasse realmente comigo, mas estou cansada de migalhas..." Não são palavras minhas, mas é assim que me sinto. Sei de tantas coisas, mas não sei nada de mim. Só sei o que dizem de mim.
Escrever não é uma tarefa fácil e escrever de mim, vira uma complicação, só que preciso, através das palavras, me fragmentar toda e espalhar cada pedacinho meu, para novamente, ir juntando os pedacinhos e recriar esse quebra-cabeça que me tornei.
Talvez eu deva entrar no túnel do tempo, ir para a minha infância. Não é tão difícil assim, afinal me sinto parada na minha adolescência não vivida.
Desde pequena aprendi que generosidade representava ser a última da fila em tudo. O menor pedaço de bolo era o que eu tinha de pegar. Se as pessoas me maltratassem, eu tinha de escutar apenas e sempre ser uma boa menina. Meus sentimentos eram tão banalizados e os meus sonhos sequer podiam ser revelados. Desde a infância eu aprendi a ser permissiva. A pensar primeiro no outro. A achar que só podia ser amada, se me deixasse ser um saco de pancadas ou um ursinho de menina mimada.
Na infância também aprendi que não era digna de ter amigos e nem podia escolhê-los ou conquistá-los. Se alguém quisesse ser, eu teria que agradecer a Deus por ter encontrado alguém. Como eu sempre fui invalidada. Como a expressão de minha sensibilidade aflorada era motivos de deboches!
Eu ainda sou a mesma garotinha de sete anos, num corpo envelhecido... Só sou alguma coisa, quem sabe alguém, se eu for útil. Isso dói. Dói muito. Estou toda mutilada e a dor é tanta que não sei qual parte de mim dói mais.
"Eu não tenho limites. Eu tenho problemas com limites. Não sei distinguir o lado de dentro e o de fora... Minha pele está do avesso, minhas vísceras à exposição. Sinto com se todos pudessem ver através de mim. Sou tão transparente que preciso gritar para que as pessoas me vejam... Eu nunca me dei bem com o amor, aliás nunca tive alguém que se importasse realmente comigo, mas estou cansada de migalhas..." Não são palavras minhas, mas é assim que me sinto. Sei de tantas coisas, mas não sei nada de mim. Só sei o que dizem de mim.
Escrever não é uma tarefa fácil e escrever de mim, vira uma complicação, só que preciso, através das palavras, me fragmentar toda e espalhar cada pedacinho meu, para novamente, ir juntando os pedacinhos e recriar esse quebra-cabeça que me tornei.
Talvez eu deva entrar no túnel do tempo, ir para a minha infância. Não é tão difícil assim, afinal me sinto parada na minha adolescência não vivida.
Desde pequena aprendi que generosidade representava ser a última da fila em tudo. O menor pedaço de bolo era o que eu tinha de pegar. Se as pessoas me maltratassem, eu tinha de escutar apenas e sempre ser uma boa menina. Meus sentimentos eram tão banalizados e os meus sonhos sequer podiam ser revelados. Desde a infância eu aprendi a ser permissiva. A pensar primeiro no outro. A achar que só podia ser amada, se me deixasse ser um saco de pancadas ou um ursinho de menina mimada.
Na infância também aprendi que não era digna de ter amigos e nem podia escolhê-los ou conquistá-los. Se alguém quisesse ser, eu teria que agradecer a Deus por ter encontrado alguém. Como eu sempre fui invalidada. Como a expressão de minha sensibilidade aflorada era motivos de deboches!
Eu ainda sou a mesma garotinha de sete anos, num corpo envelhecido... Só sou alguma coisa, quem sabe alguém, se eu for útil. Isso dói. Dói muito. Estou toda mutilada e a dor é tanta que não sei qual parte de mim dói mais.
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