Meus espelhos não me mostram o que realmente quero ver. Ou será que eu tenho medo de ver, de verdade, o que o espelho está refletindo? Será que a transparência do meu ser é tão forte que não consigo ao menos enxergar minha imagem, mesmo que superficial?
Os espelhos de minha alma são os outros. O que eles passam é o que eu reflito. Verdade ou uma distorção da realidade? Estou tão acostumada a me ver em outro, que tudo o que reflete, me afeta. Por medo, covardia, pavor... Seja lá o que for, não me olho com meus olhos.
Minhas histórias e estórias são repetitivas e cansativas. Uma novelinha chata que não consegue ter um bom enredo. Auto piedade ou uma auto cobrança, que me faz acreditar (sempre me fez) que sou pequena, que sou apenas um grão de areia que restou de um chinelo qualquer e se prendeu na poeira do chão sujo. Aquele grão de areia perdido, sempre no lugar errado e deixado de lado. Com o medo da solidão e estranhando o habitat, que nunca é o meu, eu, o grão de areia, me grudo em um lixo qualquer ou num objeto qualquer. Afinal, é preferível ficar junto de qualquer coisa e ser visto como um estranho a ficar no esquecimento e sozinho perdido, sem saber o que fazer.
O que tem o espelho a ver com o grão de areia? Para os outros nada, mas para mim é que eu, um grão de areia, aqui e ali, buscando afinidades, aceitação, carinho, reconhecimento e afeto, me deixo parecer uma poeira, uma teia de aranha, um lixo qualquer. Não me vejo como o grão de areia, mas o que o espelho (o outro) me mostra como sou e assim me transformo na galinha que queria voar, no patinho feio e no lobo em pele de carneiro, para ser vista. Sou vista sim, mas do jeito que me mostro, do jeito que me mostram como sou.
Carência ou dependência? Tanto faz, pois ambas palavras me fazem sentir ínfima diante tudo e todos...
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